quinta-feira, 16 de junho de 2016

Tu destróis-me!

Olá e boas tardes! Finalmente férias! E este vai ser o meu último verão sem exames por isso tenciono aproveitar ao máximo. Aos que ainda têm exames pela frente: estudem muito e boa sorte! Não tenho escrito muito porque estou de férias no Algarve e, para além de ser difícil conseguir uma boa conexão à internet, não tenho tido muito tempo (a praia e a piscina neste momento são prioritárias). Mas hoje o tempo está um bocado mau então tenho um bocadinho para vos escrever. Decidi que hoje vos vou contar de uma situação que aconteceu há uns 3 ou 4 anos.
Eu estava numa fase um bocado difícil (pré-anorexia) em que me sentia muito sozinha e pouco apreciada pela minha família. As expectativas sempre foram altas para mim e, pela primeira vez, tinha deixado de ser aluna de quadro de mérito. Eu nem ligava muito, honestamente, mas a minha mãe ficou um tanto desiludida comigo. E eu, inconscientemente, comecei a canalizar a minha raiva com a minha família para o meu irmão. Ele na altura teria 9 ou 10 anos e estava na fase de falar muito mesmo e eu não sou uma pessoa com muita paciência para falatórios de crianças, então irritava-me muito facilmente. Long story short, irritei-me tanto que ameacei o meu irmão de o matar. Para que conste: eu nunca faria isso, foi mais no calor do momento que me deixei levar e saiu. Mais tarde, nessa noite, reparei que a minha mãe estava muito calada e triste, então fui perguntar-lhe o que se passava. Sozinhas, ela contou-me que já não aguentava mais viver comigo assim e, já a chorar, ela grita: "Tu destróis-me!". Eu fiquei muito surpreendida e assustada, fiquei a olhar para ela sem conseguir reagir. Mas depois caí em mim, percebi a gravidade daquilo de que ela me estava a acusar e corri a chorar para o meu quarto.
A partir desse dia, eu nunca mais gritei ou falei mal ao meu irmão (até recentemente, mas isso é outra história). Esta é a memória que eu tenho que mais me dói, mais me destrói, porque agora sei o que é ser destruído por dentro. E, ainda pior do que isso, foi ouvir da minha mãe, a pessoa que eu mais amo e mais respeito, que eu a destruo. Nós as duas nunca tivemos uma relação estável, somos demasiado parecidas em alguns aspetos e isso condiciona a nossa comunicação. Eu não sou capaz de lhe contar histórias dos meus amigos, e ela, em vez de me contar que tinha um namorado, convidou-o para jantar (dizendo que era um amigo) e eu apanhei-os aos beijos. Se calhar esta memória é a mais marcante talvez por isso: por ser o momento em que a minha mãe mais se abriu comigo.
Mas não sou capaz de passar um dia sem me lembrar deste momento e de querer morrer por ter feito com que a minha mãe se sentisse assim. Já sentiram culpa? É isto. É querer agressivamente voltar atrás e não cometer este erro. Mas, quando se apercebem de que isso não é possível, querem desaparecer, como se aquele erro fosse tão grande que vos tira o direito à felicidade, à vida.
E aqui estou eu, nas minhas férias de verão a reviver o pior momento de sempre. Tal como a minha psicóloga me diz: eu sou uma pessoa melancólica por natureza, vai haver sempre uma pequena tristeza presente. Espero é que essa tristeza seja, de facto, pequena.