sexta-feira, 29 de abril de 2016

Anorexia: uma definição esmeoçada

Primeiro caso publicado de anorexia: antes (1866) e depois (1870). 

Boa tarde, pessoal, e boa sexta-feira! Este fim-de-semana vem mesmo a calhar, estou a precisar de dormir e não fazer nada durante um bom bocado. Mas não se esqueçam: domingo é dia da mãe! Deêm um beijinho especial à vossa mãe, ela vai adorar. Hoje venho esmioçar o significado de anorexia. Tenho vindo a reparar que as pessoas (maioritariamente os jovens) não têm bem noção do que é isto de anorexia, aguns acham que é só teimosia. Mas eu venho desmentir isso.
Comecei por fazer uma pequena pesquisa sobre a definição de anorexia e aqui estão alguns dos exemplos que encontrei:
Anorexia é a redução ou perda do apetite, que resulta em uma extrema magreza do indivíduo.
A anorexia trata-se, de forma técnica, de uma perturbação psicológica da auto-percepção da forma e do tamanho do corpo, ou seja, você passa a enxergar de forma distorcida seu corpo, devido a alterações do seu psicológico.
A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida e insuficiente dieta alimentar. 
A anorexia é mais do que isso, não é só não comer e emagrecer. Não vale a pena chegarem ao pé de uma pessoa anorética e dizer para ela/ele comer, porque não é esse o problema. Quando eu estava anorética as pessoas na minha família tinham o (terrível) hábito de fazer a minha comida favorita para me convencer a comer. O que têm de entender é que, para se resolver a anorexia, tem de se resolver qualquer outra coisa antes. Muitas vezes, a anorexia está associada à depressão, outras vezes à necessidade de ter controlo sob algo.
A anorexia é um relfexo de um problema na vida da pessoa, não acontece sem causa. É muito importante perceberem que um anorético não pode ser obrigado a comer, isso só vai piorar a situação.
O que é crucial para se resolver este problema é paciência. Primeiro tem de se indentificar a causa do problema, mas aviso que isto pode demorar muito tempo (no meu caso, tive anorexia em 2013 e foi só este ano que, depois do tratamento, percebi porque é que tive anorexia).
Por isso... yep é isto. Espero que tenham lido com atenção e que tenham aprendido qualquer coisa com isto. Lembrem-se de ter paciência e de ajudar os que amam quando precisam, aposto que eles vos ajudariam incondicionalmente também.

domingo, 24 de abril de 2016

Livro do Desassossego


Mas quê? Que há no ar alto, mais que o ar alto que não é nada? que há no céu mais que uma cor que não é dele? que há nesses farrapos de menos nas nuvens, que já duvido, mais que uns reflexos de luz materialmente incidentes de um sol já submisso? que há em tudo isto senão eu? Ah, mas o tédio é isso, é só isso. E que em tudo isto - céu, terra, mundo - o que há em tudo isto não é senão eu!
Sossego enfim. Tudo o que foi vestígio e desperdício some-se-me da alma como se não fora nunca. Fico só e calmo. A hora que passo é como aquela em que me convertesse a uma religião. Nada porém me atrai para o alto, ainda que nada já me atraia para baixo. Sinto-me livre, como se deixasse de existir, conservando a consciência disso. 
Sossego, sim, sossego. Uma grande calma, suave como uma inutilidade, desce em mim ao fundo do meu ser. As páginas lidas, os deveres cumpridos, os passos e os acasos de viver - tudo isso se me tornou numa vaga penumbra, num halo mal visível, que cerca qualquer coisa tranquila que não sei o que é. O esforço, em que pus, uma ou outra vez, o enfraquecimento da alma; o pensamento em que pus, uma vez ou outra, o esquecimento da ação - ambos se me volvem numa espécie de ternura sem sentimento, de compaixão frusta e vazia. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Filhos à parte


Olá olá. Tudo bem com vocês? Esperemos que sim. Hoje venho falar-vos de uma coisa que parece nunca cessar. Desde os meus anos de criança (7, 8 anos) que me lembro desta situação que até hoje continua. Como sabem, todos os casais têm os seus desentendimentos, mas, no caso dos meus pais, parece que têm uma necessidade de se contradizer um ao outro.
Desde pequena que, quando lhes fazia uma pergunta, cada um dava uma resposta diferente; mas perguntas sobre factos, memórias, coisas que uma pessoa se deve lembrar. Por exemplo: uma vez perguntei aos meus pais se tinham planeado ter filhos antes de me terem, ou se eu fui um acidente; pergunta à qual um me disse que planearam e o outro disse que eu aconteci. Quando eles se encontravam fisicamente juntos, davam a mesma resposta, mas, quando estão separados, é raro que a resposta seja igual.
E agora, separados há 5 anos, isto continua a acontecer. Eu já desisti de perguntar esse tipo de coisas, mas quando a minha mãe chega a casa e me diz que o meu pai vendeu a casa onde eu vivo, isso torna-se inevitável (btw: ele estava a fazer bluff , até porque era preciso que a minha mãe autorizasse a venda). Mas frustra-me muito não saber certas coisas. Eu podia lutar. Juntá-los no mesmo quarto e ouvi-los gritar um com o outro até saírem de lá com 1 resposta. Não me vou dar ao trabalho; não estou para me chatear mais do que já me chateei.
Com isto tudo deixo-vos mais um lamento da minha vida tão incerta e um conselho aos casais: façam um esforço, por mais raiva que sintam, não deixem que sejam os outros a lidar e resolver os vossos problemas. E, o mais importante de tudo, tenham a certeza de que não fazem ninguém sofrer com a vossa falta de comunicação.

sábado, 16 de abril de 2016

Dorme bem, eu amo-te

Buenas noches, everybody. Hoje vim contar-vos um bocadinho do meu dia e especificar uns sentimentos recorrentes e bastante desagradáveis que me assombram quase todos os dias. Como sempre, não fiz nada de especial, mas mantive-me ocupada durante o decorrer do dia a jardinar, arrumar a casa etc etc.
Mas foi agora já de noite que, após algumas tentativas de falar com o meu namorado (que estava a jogar e não lhe dava jeito falar comigo), ele finalmente liga-me, mas apenas para me dizer que ia dormir. Eu, obviamente, fiquei um bocado triste, quer dizer, passámos o dia separados e nem 10 minutos ao telefone falámos. Senti-me desconsolada, triste, desnecessária. É assim: não estou a culpá-lo de nada, se calhar a maior parte dos casais da nossa idade passa um dia (ou mais) sem qualquer tipo de contacto, mas eu não consigo. Admito: eu apego-me demasiado. E, apesar de estar muito mais independente do que já fui, continuo a ter as minhas necessidades. Entre elas: a minha meia hora diária (mínima) para conversar com a pessoa que amo.
Mas, voltanto ao tema inicial, eu sinto-me desnecessária muitas vezes, descartável até. Tenho muitas vezes a sensação que tento estar e agradar a pessoas, mas que eles não o apreciam ou não precisam desse meu esforço. É quase como estarem sempre a convidar uma certa pessoa para irem sair, mas ela/ele estar sempre a desmarcar. É quase assim que me sinto.
E dói estar sentada na cama à 1:30 da manhã a pensar "bolas, passei o dia a tentar falar com ele, e no fim nem um 'amo-te' consegui". Dói aperceber-me do meu pouco reconhecido esforço.
Ok, mas agora deixem-me ser honesta: eu estou a dramatizar um bocado as coisas, isto é, eu gosto da rotina; gosto que ele me ligue todos os dias antes de ir dormir e que me diga as mesmas coisas. Hoje não disse e eu senti-me mal, senti que tinha feito qualquer coisa de errado para não merecer a minha tão adorada rotina. O facto é que não fiz (acho e espero eu), mas não consigo deixar de me sentir desnecessária. Estou cansada desta montanha-russa de emoções que é a minha vida; só quero que ele me ligue todas as noites antes de ir dormir e que me diga a mesma coisa.
É com pequenas lágrimas que me despeço de vocês hoje e vos deixo este conselho: não se deixem levar pela rotina, ela nunca mais vos vai deixar sair.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O dia bom

Bom dia! Finalmente já é quinta-feira, esta semana bem que podia acabar agora... Não tenho conseguido fazer tantos posts porque com a escola é difícil, não tenho muito tempo e tenho andado super cansada. Mas consegui arranjar um bocadinho para escrever um pouco e hoje vou-vos contar o que é ter um dia bom.
Ontem tive um dia mesmo bom, acordei muito cedo, fui para a escola ter as minhas aulinhas habituais e, apesar de serem bastante aborrecidas, consegui, mesmo assim, ficar alegre pelo dia todo. Nem fiz nada de especial, foi mais um dia guiado pela rotina. Ter um dia bom (para uma pessoa como eu) é um alívio brutal, é quase como se eu estivesse a flutuar no mar e me deixasse levar na corrente só porque sim, só porque sabe bem. E não preciso de fazer esforços, não preciso de fazer nada sem ser relaxar (já agora, esta ideia de flutuar e se deixarem levar é um exercício muito bom para ajudar com o stress).
Acho que uma coisa que me ajuda imenso é ter pessoas na minha turma com quem me identifico muito e consigo sentir-me confortável com elas, mesmo que não as considere amigas ou que não consiga desabafar com elas, mas sinto-me bem. Imagino que elas nem me conheçam bem, tal como eu não as conheço bem, mas isso não interessa, pelo menos não agora. O importante agora é o conforto, é sentir-se bem consigo próprio e à volta de outros.
Portanto, é isto. Hoje só consegui escrever este bocadinho, mas soube bem contar-vos sobre o meu dia bom. Espero que vocês também tenham muitos destes!

sábado, 9 de abril de 2016

How to: be fit without obsessions


Bom dia, pessoal! Finalmente chegou o fim‑de‑semana e mal posso esperar para não fazer nada hoje e amanhã depois de uma semana cansativa de aulas. Como sabem, tenho 17 anos e estou no 10o ano (era suposto estar no 11o, mas voltei para trás para repetir o 10o noutra área) e convivo com muitas raparigas da minha idade, adolescentes. Tal como eu, quase toda a gente tem algum tipo de insegurança com o seu corpo e algumas pessoas até se esforçam para se transformar, para se tornar bonitas aos seus olhos. Mas isso pode, muitas vezes, tornar-se numa obsessão. Por isso hoje vou fazer um pequeno post com alguns conselhos que eu tenho para vos dar de modo a que consigam prevenir essa obsessão.
1. Não saltar refeições. Esta é muito importante porque, para conseguirem perder peso de modo saudável, não podem saltar refeições porque o nosso corpo acumula o que precisa para se alimentar e o resto é digerido é expulso do corpo, mas se comerem pouco o corpo vai acumular tudo. 
2. Não contar calorias. O número de calorias necessário para cada pessoa é diferente e não é isso que vai fazer diferença na vossa dieta. Optem por comer de forma saudável em vez de contar calorias. Por exemplo: 100 calorias de chocolate vai alimentar-vos muito menos e muito pior do que 100 calorias de maçã por exemplo. 
3. Fazer exercício, mas de forma moderada. Para mim, o ideal seria uma vez por dia, 3 vezes por semana e fazer um bocadinho de cardio (jogging ou bicicleta) e exercícios localizados (abdominais e exercícios de pernas). É importante não esforçarem demasiado o vosso corpo, porque podem acabar com lesões físicas graves.
4. Ter autocontrolo. Esta para mim é a base de tudo. Sem ter controlo sob nós próprios não chegamos lá. Não existe bem um método para conseguirem alcançar este ponto, é uma questão de treino e muita paciência. É preciso termos consciência dos nossos limites e não os atravessar. Quando eu digo controlo não quero dizer que é preciso ter controlo para não comer tanto ou algo do género. Eu quero dizer que precisamos de controlo para não passarmos a pequena linha que separa a dieta da obsessão.
5. Aceitar. Por último, a aceitação. Ser capaz de reconhecer a beleza dentro de nós. Saber aceitar as coisas que não conseguimos mudar e amar-nos da forma que somos. 
E pronto, é isto! Espero que tenham gostado e que isto vos tenha ajudado de alguma forma! Lutem para ser a pessoa que querem ser, mas tudo o que é em exagero é mau, saibam reconhecer a diferença.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Bolos e abdominais

Boas noites, hoje decidi que vou fazer um post sobre uma coisa que me acontece praticamente todos os meses. Como toda a gente sabe (espero eu) antes e durante a menstruação, as mulheres sofrem de SPM (Sintoma Pré-Menstrual) e os sintomas diferem de mulher para mulher. Podem ir de dores menstruais a emoções polarizadas ou mesmo até a gripe. E o que eu vou falar é muito sobre isso.
Eu costumo ter uma vontade brutal de comer. Doces, salgados, fritos, mas maioritariamente chocolate. Como os meus leitores já sabem, eu tive anorexia e não era capaz de comer sem ficar com um peso na consciência e a sentir-me mal mesmo fisicamente. O problema que eu tenho hoje é que, apesar de já não ser anoréxica, ainda fico um bocado "obcecada" com o meu corpo e peso. Não sou gorda nem nada, tenho um corpo normal, mas normal não é o suficiente. Claro, quer dizer, tenho 17 anos e não quero ser uma rapariga bonita? Claro que quero.
Hoje, primeiro dia de aulas do último período (finalmente), passei o dia todo a fantasiar com um cheesecake de amora que fiz ontem e nem almocei bem, portanto, como já estão a ver, cheguei a casa e comi metade do cheesecake. Passados uns minutos, começo a pensar nas calorias, na gordura, nos rolinhos na minha barriga a crescerem vagarosamente. Depois fui para o meu quarto e meti-me a fazer uns workouts fraquinhos até começar a suar um pouco. Se fosse há uns anos, teria feito exercício até já não me aguentar e pé, mas agora só faço até não me sentir uma baleia.
Mas no fim olho para esta situação e penso que preciso de ter mais controlo, nomeadamente com a comida e estes ataques de fome, mas também com o exercício físico. Gostava mesmo de deixar de me preocupar tanto com o meu corpo e a minha aparência, mas acho que é uma coisa que já faz parte de mim. Também odeio que eu coma tantas porcarias e depois me sinta assim.
Por isso, já sabem, somos todos lindos da nossa própria maneira, confiem em vocês e lembrem-se de que a verdadeira beleza está cá dentro.