domingo, 18 de setembro de 2016

Motivação: procura-se


Olá, pessoal! Hoje é o meu último dia de férias de verão e amanhã começo um novo ano. Vou-me levantar logo pelas 6 da manhã (eu sei, também me dói) e tenho de ir apanhar o autocarro ainda antes das 7. E depois é entrar no ritmo: beber muito café, estar super atenta às aulas e estudar bastante.
Isto que estão a ler é apenas uma pequena mensagem para vos motivar a voltar à escola com o power todo! Como tudo na vida, o esforço é sempre recompensado, por isso pensem nas aulas como aquele antibiótico horrível que tomavam em miúdos: é mau, mas depois ficamos bons! No entanto, a escola não tem de ser uma coisa má. As aulas, isso não vos posso garantir, mas a escola em si é até um bom sítio para se estar com os amigos e se divertirem. Procurem pessoas na vossa turma com interesses semelhantes, e partam daí. Essas pessoas conhecem outras pessoas e vocês vão expandindo o vosso conhecimento social. Aproveitem tardes livres e grandes horas de almoço para ficarem na escola com os vossos amigos a "estudar" ou a jogar cartas etc. Este ano letivo, passei muito tempo na escola a estudar (a sério) com os meus amigos e a fazer parvoíces; fez-me super bem porque a escola já não tinha aquela carga negativa habitual.
Organizem a vossa semana: se têm uma tarde livre, dividam-na entre estudo, televisão, ler ou o que quer que vos entretenha mais. Estabeleçam regras para vocês próprios, do género: "não vou ver o novo episódio de Game of Thrones até estudar meia hora de Literatura". Aproveitem para pensar no vosso futuro profissional e estabelecer alguns objetivos, isso vai, sem dúvida, ajudar-vos na motivação para terem boas notas. Quando souberem que curso querem tirar ou que emprego querem ter, vão ter uma melhor noção das notas que precisam para os alcançar e vão sentir-se mais determinados a conseguir.
A escola não é má de todo. Há sempre alguma coisa má, como tudo na vida, por isso tentem ver as coisas pelo lado positivo e aproveitar o melhor que a nossa idade e os nossos amigos têm para nos dar! Muito boa sorte a todos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

How to: be ready for school


Olá, pessoal! Sei que já venho um bocado atrasada, mas as minhas aulas ainda não começaram por isso acho que ainda vou a tempo de vos dar umas das minhas dicas sobre o regresso às aulas. Quer seja para o básico ou secundário (ou até mesmo universidade, apesar de eu ainda não ter chegado aí), acho que estas dicas vão ser úteis para terem não só um ótimo início de aulas, mas um bom ano na íntegra.
1. Regulem o sono. Tentem começar a por despertador mais cedo antes das aulas, assim, quando tiverem de acordar às 6:00 ou 7:00, já não vos custa tanto e até acordam com uma certa energia. Eu sou o certo tipo de pessoa que se levanta assim que toca o despertador (houve um dia que o desliguei e fiquei na cama... Não correu nada bem), por isso para mim não é difícil levantar.
2. Comprem cadernos e canetas que vos entusiasmem. Materiais de escritório sempre me entusiasmaram desde pequena e, quando vou às compras em setembro, tenho de me controlar para não comprar tudo o que vejo. Se comprarem aquele caderno de capa dura que estava a olhar para vocês na loja, aposto que vão sentir uma vontade enorme de escrever nele.
3. Entrem em contacto com os vossos colegas. Quer já os conheçam ou não, é sempre bom estar um passo à frente no que toca a conhecer pessoas na escola. O ano passado fui para uma escola nova e, por mera sorte, uma rapariga da minha turma achou-me no Facebook e falou comigo antes das aulas. Foi fantástico porque estive com ela nos primeiros dias e ela ajudou-me sempre a encontrar as salas e as casas de banho. Se têm alguém novo na turma, façam vocês este gesto de bondade, acreditem que há quem precise.
4. Dêem uma vista de olhos pelos manuais. Eu sei, a última coisa que vocês querem fazer é lembrar as aulas antes delas começarem sequer, mas vai preparar-vos para o que aí vem. Aposto que têm uma disciplina favorita (a minha é Literatura Portuguesa) e às vezes até sabe bem ler umas coisinhas, não custa tanto como nas aulas e a matéria entra mais facilmente.
5. Consolidem o vosso guarda-roupa. Eu sou o tipo de rapariga que gosta de seguir os trends, então costumo comprar algumas peças-chave que me dêem mais confiança. Este ano comprei um sobretudo comprido até às canelas e umas botas de camurça castanhas. Gosto de entrar na escola com roupa confortável, mas que me faça sentir bem comigo mesma e me faça ter aquele boost na minha auto-estima.
6. Mantenham a calma. A escola não é nenhum bicho de três cabeças. Estudem para ter boas notas, não se matem a estudar e tentem ser simpáticos e amigáveis, haverá sempre alguém a retribuir esse gesto.
Sejam positivos face a este início de um novo ano, vão ver que com esforço e dedicação corre tudo bem. Muito boa sorte a todos e um bom ano letivo! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Carta à minha mãe

Querida mãe,
A nossa relação nunca foi fácil, mas éramos inseparáveis. Desde pequenina que o pai viajava e ficávamos nós as duas sozinhas, lembro-me de estarmos as duas na cozinha e de tu brincares comigo enquanto me tentavas dar de comer (e, pelo que me contaram, era uma tarefa difícil). Lembro-me dos piqueniques que fazíamos em Tróia com a família toda e depois irmos as duas dar um mergulho à praia. Ainda me lembro do dia em que aquela fotografia ao pé da lareira foi tirada: tinhas-me arranjado com um vestido cor-de-rosa e um gancho no cabelo e andavas comigo ao colo no quintal da casa dos avós.
Mas depois tu e o pai começaram a desentender-se e deixámos de ir em piqueniques, o pai deixou de nos tirar fotografias. Acontece, a culpa não foi tua nem dele. Tudo começou a ser mais difícil... Tratavas de duas crianças sozinha, ias todos os dias trabalhar para Lisboa e não tinhas qualquer tipo de tempo livre para ti. E eu tentei, tentei ajudar-te com tudo o que podia, com a comida, a loiça, as limpezas... Enfim. Mas eu tinha boas notas, ótimas aliás, até que deixei de ser aluna de quadro de honra e tu ficaste desiludida. Nunca me disseste, mas era tão óbvio quando foste dizer as minhas notas ao avô já não as disseste com o entusiasmo de antes. Na altura nem me incomodou assim muito, continuava a ter boas notas por isso até me era um bocado indiferente ter o meu nome no quadro ou não. Por cima de isto tudo, já não conseguias pagar a mensalidade do colégio a duas crianças, por isso eu e o meu irmão tivemos de ir para uma escola pública. E tu não estavas satisfeita com isso, quer dizer, durante 7 anos os teus filhos tiveram (o que seria considerada) a melhor educação possível e, de repente, mudam-se para uma escola pequena com um mau ambiente e baixas expectativas. Eu continuava a tentar ajudar-te com tudo, mas começou a ser difícil para mim... Já não tinha motivação para me levantar e, mais tarde, acabaram por me falhar as forças físicas. Mesmo assim acho que tenho toda a legitimidade quando digo que ajudei com o que pude.
As minhas notas eram das melhores da escola, o que não era muito difícil, considerando as bases que tinha, mas havia o problema do Francês... Nunca tinha tido Francês na minha vida e agora era obrigada a ter aulas e fazer testes do 3º ano da língua. Os meus colegas não tinham problema, já tinham tido dois anos antes, mas para mim foi difícil. Comecei pelas negativas e depois lá subi para os suficientes. Não foi suficiente. Tinha só 4s e 5s e depois tinha 2 a Francês... Inadmissível. Havia também a situação da minha vida social inexistente. Tu percebias claramente que, por causa da depressão, era impossível para mim fazer novos amigos ou tentar entrar em contacto com os outros. Nessa altura estavas desempregada, o que ainda era pior porque estavas em casa 24/7 para me observar, e o que reparaste que, para além das idas ao médico, eu não saía de casa. Não falava da turma, não falava da escola. A certo ponto, a minha diretora de turma até te convocou para uma reunião porque todos os professores da turma estavam preocupados com o meu comportamento: estava sempre calada nas aulas e sozinha nos intervalos. Fizeste tudo para me incentivar a sair de casa.
Um dia, eu saí. Fiz amigos, íamos ao cinema, ficava até mais tarde na escola com eles. E tu ficaste feliz, finalmente consegui atingir um grande objetivo. Até ao dia em que fiz mais do que isso: arranjei um namorado. Aí é que foi... Lá passou a anorexia finalmente, já era capaz de ir comer fora sem ter um ataque de pânico. Mas um namorado implica mais saídas, menos tempo em casa.
E voltámos à insuficiência. Era bom que eu saísse, sem dúvida, mas com moderação. Tudo o que é demais é mau. Apesar de eu continuar a ajudar em casa, saía demasiado para o teu gosto, não passava tanto tempo contigo. E tu sempre tiveste este problema: não és capaz de dizer as coisas. Em vez de me dizeres estou com saudades tuas, vem jantar a casa hoje, chateavas-te comigo. Depois começou o ano letivo e, com ele, os problemas. As minhas notas baixaram e eu saía demasiado... A receita para o desastre. Mas até nem ficaste tão desiludida como eu imaginei, desculpaste-me por causa da depressão, percebeste que se calhar era difícil para mim conciliar a minha recuperação com vida social e vida académica.
Este ano correu melhor. Já estou muito melhor e as minhas notas subiram bastante, mas não subiram todas para 20. Meu Deus, nem 20 é suficiente! Consegui tirar a nota máxima a Alemão, mas tinha duas faltas injustificadas... Se tivesse sido 18 ou 19... Mas foi 20!
Em outubro faz dois anos que estou a fazer terapia com a mesma médica. Cheguei lá feita num S, tinha de ir a duas consultas por semana e, cada vez que saía de lá, só me apetecia ir para casa e fechar-me no quarto. Mas fiz um esforço, até porque sabia o quanto tu estavas a gostar de me ver a recuperar. Sei que a médica costuma falar contigo só para te dizer se as coisas estão melhores ou piores, sem te revelar o que se passa nas nossas sessões. Acontece que, há coisa de uns meses, depois deste trabalho todo, a minha fantástica médica conseguiu desvendar o grande mistério: porque é que eu tive anorexia e uma depressão? Por mais que me custe dizer isto, porque gosto tanto de ti, foste tu. Foram todas as minhas tentativas de te agradar que tu desvalorizaste. Foram todas as coisas boas que fiz que deixaram de contar quando fazia alguma coisa mal. Foram as coisas que tu me disseste quando estavas chateada por alguma razão. Foi o constante sentimento de insatisfação.
Gosto tanto de ti, mãe, mas custa-me tanto que tu, até hoje, não te apercebes do que me dizes às vezes. A culpa também é minha, não tenho coragem de te dizer. E sinto-me terrível por isto porque sei que me amas e nunca me quiseste mal.
A nossa relação nunca foi fácil, isto é só mais um obstáculo a ultrapassar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Triste é o que estou.


Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

How to: have an exciting summer


Bom dia, pessoal! Como têm sido as vossas férias? Eu não tenho feito nada de especial porque vivo numa vila pequenina longe de todos os cinemas, centros comerciais e locais socialmente atrativos. Portanto tenho passado os meus dias a mudar entre o sofá e a cama e o telemóvel e o computador. O verão não é (de todo) uma das minhas estações favoritas, odeio o calor e não consigo subir as escadas sem ficar toda suada. Por isso acabo por me sentir mais em baixo, tenho mais tempo para estar sozinha com os meus pensamentos e, por norma, estes dias nunca acabam bem. Então venho partilhar uns conselhos com vocês para que não se sintam desanimados com as férias quando há tanto para fazer.
1. Sair de casa. Se não são como eu e até têm alguma tolerância ao calor, vão lá para fora dar um passeio, fazer exercício ou passear os vossos animais de estimação. Se tiverem um quintal, tirem uns minutos para o regar ou plantar flores. Aproveitem e façam alguma coisa produtiva, vão ver que se sentem muito melhor no final.
2. Ler um livro. Esta é um bocado óbvia, acho eu, pelo menos é o que a minha mãe me diz sempre quando estou aborrecida. Há tanta coisa por aí para ler, eu tenho quatro livros na lista de espera para serem lidos, basta-me só ganhar coragem para largar a wifi.
3. Começar a ver uma série. Procurem na net as séries com melhor pontuação no IMDB ou no Rotten Tomatoes e comecem a ver do início. Vai ocupar-vos a mente e o tempo, para não mencionar que ver séries é super divertido e emocionante, mas com a vantagem que não vão ter de esperar pelo próximo episódio!
4. Brincar com roupa e maquilhagem. Se gostam de moda e maquilhagem, façam experiências. Imaginem um cenário em que iam numa girls night out ou numa saída romântica e façam o look completo. Aproveitem e, se ficar ao vosso agrado, tirem fotos para mostrar aos vossos amigos como conseguem tornar-se numa pessoa totalmente diferente só com uma mudança de roupa e maquilhagem.
5. Começar algo novo. E com algo quero dizer qualquer coisa que gostem, uma pintura, um poema, um blog, um canal de YouTube, um álbum de fotos (vossas, que vocês tiraram, etc). Experimentem coisas novas ou voltem para o que gostam e ponham as mãos à obra!
São estes os conselhos que tenho para vos dar, e espero que ajudem! E vocês, que outros conselhos gostavam de partilhar? Deixem nos comentários as vossas sugestões e se estes conselhos funcionam para vocês. Tenham umas ótimas férias e aproveitem!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Anorexia, mas para sempre?


Olá, Blogger! Meus caros e dedicados seguidores, peço-vos desculpa pelas semanas que passei sem vos escrever, mas, apesar de estar de férias, parece que ainda tenho menos tempo para me sentar durante um bocado. Espero que os exames tenham corrido bem a toda a gente! Hoje consegui um bocadinho de paciência e vou falar-vos do que têm sido os meus dias e de algumas coisinhas que me têm incomodado ultimamente.
Apesar de já terem passado mais de dois anos desde que consegui recuperar da anorexia, parece que vai haver sempre uma voz na minha cabeça a dizer "essa pizza tem tanta gordura" ou "tens a certeza de que queres comer esse gelado?". Quando eu estava no pico da minha anorexia, a minha tia (de quem eu gosto muito e temos uma relação brutal) veio a minha casa para lancharmos um dia e trouxe uma amiga. Essa amiga dela passou pelo mesmo, ela teve anorexia quando era muito nova e, depois de ela me contar a história toda, eu fiz-lhe algumas perguntas. Perguntei-lhe se ela se tinha curado completamente, ou se ainda tinha algo de anorética nela. Ela respondeu-me que, apesar de não ter uma obsessão, ainda tinha alguns pensamentos que duraram desde aquela altura.
Eu acho exatamente o mesmo. Hoje a minha mãe comprou-me uma lasanha para o almoço e eu comi-a, mas não fui capaz de a comer toda. Só sentir as natas na minha boca me tirou a fome e a vontade de comer, porque sabia as calorias que aquilo tinha e o que ia fazer ao meu corpo. Nunca fui confiante com o meu corpo, lembro-me de ter complexos no primeiro ciclo, quando os meus colegas me chamavam gorda ou mesmo só gorducha. Agora, com 17 anos, dou muito mais importância à minha aparência e tenho o poder de mudar algumas coisas que não me agradam.
Mas assusta-me, sabem? Assusta-me que, dois anos depois, não sou capaz de comer um pedaço de lasanha sem lhe dar importância. Não tenho nenhuma obsessão nesta fase e estou confiante quando digo que não vou ter num futuro próximo, mas não sei dizer se algum dia esta voz vai desaparecer.


Foto: https://www.buzzfeed.com/maggyvaneijk/tree-of-life?bffbhealth&utm_term=.rf71238NP#.pqvnK1wvY

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Tu destróis-me!

Olá e boas tardes! Finalmente férias! E este vai ser o meu último verão sem exames por isso tenciono aproveitar ao máximo. Aos que ainda têm exames pela frente: estudem muito e boa sorte! Não tenho escrito muito porque estou de férias no Algarve e, para além de ser difícil conseguir uma boa conexão à internet, não tenho tido muito tempo (a praia e a piscina neste momento são prioritárias). Mas hoje o tempo está um bocado mau então tenho um bocadinho para vos escrever. Decidi que hoje vos vou contar de uma situação que aconteceu há uns 3 ou 4 anos.
Eu estava numa fase um bocado difícil (pré-anorexia) em que me sentia muito sozinha e pouco apreciada pela minha família. As expectativas sempre foram altas para mim e, pela primeira vez, tinha deixado de ser aluna de quadro de mérito. Eu nem ligava muito, honestamente, mas a minha mãe ficou um tanto desiludida comigo. E eu, inconscientemente, comecei a canalizar a minha raiva com a minha família para o meu irmão. Ele na altura teria 9 ou 10 anos e estava na fase de falar muito mesmo e eu não sou uma pessoa com muita paciência para falatórios de crianças, então irritava-me muito facilmente. Long story short, irritei-me tanto que ameacei o meu irmão de o matar. Para que conste: eu nunca faria isso, foi mais no calor do momento que me deixei levar e saiu. Mais tarde, nessa noite, reparei que a minha mãe estava muito calada e triste, então fui perguntar-lhe o que se passava. Sozinhas, ela contou-me que já não aguentava mais viver comigo assim e, já a chorar, ela grita: "Tu destróis-me!". Eu fiquei muito surpreendida e assustada, fiquei a olhar para ela sem conseguir reagir. Mas depois caí em mim, percebi a gravidade daquilo de que ela me estava a acusar e corri a chorar para o meu quarto.
A partir desse dia, eu nunca mais gritei ou falei mal ao meu irmão (até recentemente, mas isso é outra história). Esta é a memória que eu tenho que mais me dói, mais me destrói, porque agora sei o que é ser destruído por dentro. E, ainda pior do que isso, foi ouvir da minha mãe, a pessoa que eu mais amo e mais respeito, que eu a destruo. Nós as duas nunca tivemos uma relação estável, somos demasiado parecidas em alguns aspetos e isso condiciona a nossa comunicação. Eu não sou capaz de lhe contar histórias dos meus amigos, e ela, em vez de me contar que tinha um namorado, convidou-o para jantar (dizendo que era um amigo) e eu apanhei-os aos beijos. Se calhar esta memória é a mais marcante talvez por isso: por ser o momento em que a minha mãe mais se abriu comigo.
Mas não sou capaz de passar um dia sem me lembrar deste momento e de querer morrer por ter feito com que a minha mãe se sentisse assim. Já sentiram culpa? É isto. É querer agressivamente voltar atrás e não cometer este erro. Mas, quando se apercebem de que isso não é possível, querem desaparecer, como se aquele erro fosse tão grande que vos tira o direito à felicidade, à vida.
E aqui estou eu, nas minhas férias de verão a reviver o pior momento de sempre. Tal como a minha psicóloga me diz: eu sou uma pessoa melancólica por natureza, vai haver sempre uma pequena tristeza presente. Espero é que essa tristeza seja, de facto, pequena.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Carta ao meu amor

Isto não é uma serenata, não é um agradecimento, mas não sei bem o que é. Há dois anos, neste dia, começou uma nova etapa da minha vida. 
Vou admitir: conheceste-me numa má altura, estava tudo ainda muito confuso e o pior estava ainda para vir. Não te contei tudo no momento, vieste a descobrir coisas pouco a pouco que eu preferia que nem se mostrassem. Mas, ainda depois de as vires, continuaste. Ainda depois de percebermos os dois que foste feito para aquilo, continuaste. E esperaste por mim, pelo verdadeiro eu. Descobrimo-nos um ao outro e a nós próprios, as nossas semelhanças e as nossas diferenças. Tentámos lidar com elas, continuámos. Vimos como somos diferentes depois dos nossos amigos verem. E esmagámos as expectativas deles. Quando eles nos deram os parabéns no nosso primeiro aniversário, fiquei vermelha de orgulho. E continuámos. As coisas mudaram, mas nós adaptámo-nos, continuámos. Pelo bom e pelo mau estivemos juntos. 
Que venha mais. Que venham mais jantares fora, mais maratonas de Game of Thrones, mais discussões aquecidas sobre política e, sobretudo, mais amor. Sabes uma coisa? Às vezes as minhas amigas estranham como não gosto de coisas lamechas, mas assim somos nós. Apesar de não haver muitas declarações de amor pelo meio, sei o quanto gostas de mim e tu sabes o quanto gosto de ti. 
Vamos continuar a esmagar as expectativas deles. 
Amo-te.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Polo Norte e Polo Sul


Olá, pessoal! Hoje venho falar-vos da minha struggle como filha de pais completamente opostos. Quando eu digo completamente, quero dizer completamente (isto é, deixando de parte os dois filhos que têm em comum). Em termos de personalidade, eles são muito diferentes, pergunto-me até o que foi que os atraiu em primeiro lugar.
O meu pai stressa-me. Muito. Mas não falo sobre questões da minha vida académica, falo exatamente sobre questões minhas da minha personalidade. O meu pai é a pessoa mais emotiva que já conheci e eu, por outro lado, sou um tanto fria, por isso chocamos. Desde que comecei a florescer como um indivíduo singular, eu e o meu pai começámos a ter uma relação um bocado difícil, porque eu estou a tornar-me bastante parecida com a minha mãe. Hoje, por exemplo, fui jantar com ele e começámos a falar sobre viagens e eu disse que não acho que viagens são uma prioridade. Ele ficou imediatamente com os olhos vermelhos e com pouca vontade para falar. Juro que, às vezes, ele consegue ser pior do que raparigas adolescentes. Já tivemos as nossas grandes discussões porque ele me quer contar da vida dele e eu tenho uma noção de privacidade um bocadinho severa. E stressa-me tanto ele 1. querer "corrigir-me" (palavras dele) e 2. deixar-se emocionar tanto por coisas tão insignificantes. Ainda estou no processo de tentar aceitar e lidar com isto em paz.
A minha mãe, por um lado completamente diferente, não me conta nada, nem quer saber de nada. Isto é, sem ser das notas da escola. Eu sei que ela gosta mesmo de mim, mas ela foi educada pela minha avó, que ainda consegue ser mais fechada do que nós as duas juntas, então acaba por não conseguir abrir-se comigo (ou com qualquer outra pessoa). Honestamente, eu tento de vez em quando perguntar-lhe se saiu com os amigos e como foi, mas ela não se sente confortável. E custa-me muito chegar a casa e ela perguntar-me como foi o meu dia, mas mais por educação do que por curiosidade. Gosto tanto da minha mãe e adorava conseguir sair com ela um dia, só nós as duas e que conversássemos. Estou ansiosamente à espera desse dia.
E aqui estou eu, no meio de dois universos extremamente diferentes, não só com esperanças que um dia haja equilíbrio, mas também a tentar perceber onde é que eu encaixo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Be proud of yourselves


Saudações, queridos leitores. Peço desculpa pelo tempo que passei sem vos escrever, mas agora é a reta final na escola e é tudo ou nada (eu estou a tentar optar pelo tudo), portanto o tempo é escasso nesta altura. Hoje venho falar-vos de um misto de coisas, entre elas a vergonha e o medo. Neste caso, falo de situações em que se sentem demasiado embaraçados para assumir aguma coisa.
Ontem tive de levar o meu computador pessoal para a escola para fazer um trabalho de grupo. Não querendo ser má, a stora pôs-me no pior grupo de sempre, com os dois indivíduos mais gozadores e convencidos da turma inteira. Eu até costumo ser cuidadosa e organizar o desktop para esconder coisas que não quero que vejam, nomeadamente, coisas do blog. Mas, desta vez, foi tudo tão à pressa que nem tive tempo de fazer isso. Para meu azar, eu abri o computador e estavam lá escarrapachadas duas fotos que usei para o blog (uma de uma mulher semi-nua e outra de um grupo de mulheres em roupa interior). E pior ainda, o computador estava tão lento que, por mais que clicasse no icon da net, aquilo não se mexia e as fotos estavam em grande no desktop e os meus dois colegas a verem aquilo. Por momentos ainda pensei ah eles nem devem ver, mas depois a rapariga (uma figura estranhamente peculiar) começou a rir. O rapaz foi a seguir. Senti as minhas bochechas a ficarem vermelhas como dois tomates e quis enterrar-me ali. Considerei ainda arranjar uma desculpa para ter aquelas fotos guardadas, mas apercebi-me de que, quanto mais puxasse o assunto, mais eles se iam rir. Então ignorei e prossegui com o trabalho.
É tão errado... mas nem vos sei dizer o que é mais errado: se eles a rirem-se de mim, se eu a ter vergonha de uma coisa que não devia ser vergonhosa. Só uma pessoa da minha turma sabe que tenho um blog e costuma lê-lo, portanto percebo que eles tenham ficado à toa com duas fotos de mulheres semi-nuas no meu computador. Se eles soubessem do blog, talvez percebessem o contexto, mas não tenho coragem nem necessidade de o divulgar aos meus conhecidos. Honestamente, acho que ainda iriam gozar mais se soubessem.
Não sou vítima de bullying, isso nem existe na minha turma, mas há sempre estas duas ou três pessoas que não conseguem conter aquele risinho ou aquele comentário que vos magoa. Não fiquei chateada, eles nem são meus amigos (cortem-me a cabeça se alguma vez for amiga de pessoas assim), mas fiquei com receio e bastante envergonhada. Pergunto-me o que diriam se soubessem dos meus problemas... até porque pessoas que não conhecem esta realidade não a costumam reconhecer. Riem-se quando se fala em caso de vida ou de morte. Não os posso culpar, é a forma como pensam. Quando eu bati no fundo, houve pessoas da minha própria família que não o reconheceram. O meu pai pensava que eu estava só aborrecida. Magoa, mas pronto... o que é que se vai fazer?
Agradeço-vos por lerem este meu desabafo e aproveito para vos deixar um conselho: não tenham vergonha, sejam fortes e tenham orgulho em vocês próprios. E não deixem que vos digam que são estranhos ou parvos, vocês é que decidem quem são.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O que é esperado de ti?


Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos. Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas. Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.
Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça. Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal. Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas “meninas”. Esperam de ti a boçalidade da pré-história.
Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias após uma refeição sem fritos ou salsichas. Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrata alguém.
Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa. Esperam que tires um curso. Que sejas “alguma coisa” mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.
Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.
Esperam isso. Esperam mais. Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumptuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.
Esperam isso de ti. E não convém falhares. Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida. Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias. Esperam de ti pouco rasgo. Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Reflectir é evitável. Não esperam que sejas uma grande intelectual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol. Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio. Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador. Esperam que sejas isto. E mais. Só não esperam que sejas feliz.
de Rita Marrafa de Carvalho

sexta-feira, 6 de maio de 2016

All bodies are beautiful... for sure?


Olá olá! Boa tarde e para já peço desculpa a todos pelo tempo que estive sem postar nada, tenho tido um monte de testes e agora é tudo ou nada. Hoje apeteceu-me partilhar com vocês uma coisa que me tem acontecido nas últimas semanas. O meu último post foi exatamente o que é a anorexia e eu postei isso porque era uma coisa que tinha estado na minha cabeça ultimamente, e agora eu noto que começo a ficar um tanto preocupada com o meu aspeto físico.
Até sou uma rapariga que se preocupa, uso maquilhagem regularmente e de vez em quando até faço exercício físico (woow), mas tenho notado que tenho estado um bocadinho obcecada. Quando digo obcecada quero dizer que engordei 1kg e tenho feito mais exercício do que o usual e tenho evitado os açúcares. Vou ser honesta: não sou exatamente magra, gosto bastante de comer um chocolatinho todas as semanas (ou mais vezes até), mas 1kg não deveria ser razão para me preocupar.
O facto é que me preocupei. E muito. Cheguei ao ponto de olhar para as calorias num pacote de queques de chocolate. Muito honestamente, isto preocupa-me porque foi assim que os meus problemas começaram... com o exercício em demasia e o controlo das calorias. A minha falta de autoconfiança também não contribui para isto...
Um lado de mim diz isto pode ser só SPM (que começa a ficar cada vez mais longo), mas outro diz para eu ter cuidado e já nem sei. Tenho tido uns dias um bocado maus e isto pode ser só um reflexo disso só que também pode não ser e a incerteza está-me a matar. Eu sempre fui um pouco preocupada com o meu corpo porque nunca o tive como queria. Sempre mais barriga, mais coxas, menos curvas... nem me considero exigente (quanto a isto, pelo menos), mas não é assim tão difícil manter um corpo sem gorduras em demasia. Já me apercebi que o meu corpo não foi feito para ser magro, a minha estrutura é mesmo assim, mas odeio o meu corpo.
Até me estou a sentir mal por estar aqui a descarregar os meus problemas numa página online, mas não me sinto confortável o suficiente para partilhar isto com as pessoas... e as com quem partilho dizem-me sempre "deixa isso, estás bem assim". Surpreendentemente, isso não ajuda!
Apesar disto tudo, continuo a acreditar que todos os corpos são bonitos, se trabalhados bem, isto é, vestidos de forma adequada. Não se deixem levar como eu, mentalizem-se de que são bonitas/os e, um dia, vão acreditar verdadeiramente nisso.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Anorexia: uma definição esmeoçada

Primeiro caso publicado de anorexia: antes (1866) e depois (1870). 

Boa tarde, pessoal, e boa sexta-feira! Este fim-de-semana vem mesmo a calhar, estou a precisar de dormir e não fazer nada durante um bom bocado. Mas não se esqueçam: domingo é dia da mãe! Deêm um beijinho especial à vossa mãe, ela vai adorar. Hoje venho esmioçar o significado de anorexia. Tenho vindo a reparar que as pessoas (maioritariamente os jovens) não têm bem noção do que é isto de anorexia, aguns acham que é só teimosia. Mas eu venho desmentir isso.
Comecei por fazer uma pequena pesquisa sobre a definição de anorexia e aqui estão alguns dos exemplos que encontrei:
Anorexia é a redução ou perda do apetite, que resulta em uma extrema magreza do indivíduo.
A anorexia trata-se, de forma técnica, de uma perturbação psicológica da auto-percepção da forma e do tamanho do corpo, ou seja, você passa a enxergar de forma distorcida seu corpo, devido a alterações do seu psicológico.
A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida e insuficiente dieta alimentar. 
A anorexia é mais do que isso, não é só não comer e emagrecer. Não vale a pena chegarem ao pé de uma pessoa anorética e dizer para ela/ele comer, porque não é esse o problema. Quando eu estava anorética as pessoas na minha família tinham o (terrível) hábito de fazer a minha comida favorita para me convencer a comer. O que têm de entender é que, para se resolver a anorexia, tem de se resolver qualquer outra coisa antes. Muitas vezes, a anorexia está associada à depressão, outras vezes à necessidade de ter controlo sob algo.
A anorexia é um relfexo de um problema na vida da pessoa, não acontece sem causa. É muito importante perceberem que um anorético não pode ser obrigado a comer, isso só vai piorar a situação.
O que é crucial para se resolver este problema é paciência. Primeiro tem de se indentificar a causa do problema, mas aviso que isto pode demorar muito tempo (no meu caso, tive anorexia em 2013 e foi só este ano que, depois do tratamento, percebi porque é que tive anorexia).
Por isso... yep é isto. Espero que tenham lido com atenção e que tenham aprendido qualquer coisa com isto. Lembrem-se de ter paciência e de ajudar os que amam quando precisam, aposto que eles vos ajudariam incondicionalmente também.

domingo, 24 de abril de 2016

Livro do Desassossego


Mas quê? Que há no ar alto, mais que o ar alto que não é nada? que há no céu mais que uma cor que não é dele? que há nesses farrapos de menos nas nuvens, que já duvido, mais que uns reflexos de luz materialmente incidentes de um sol já submisso? que há em tudo isto senão eu? Ah, mas o tédio é isso, é só isso. E que em tudo isto - céu, terra, mundo - o que há em tudo isto não é senão eu!
Sossego enfim. Tudo o que foi vestígio e desperdício some-se-me da alma como se não fora nunca. Fico só e calmo. A hora que passo é como aquela em que me convertesse a uma religião. Nada porém me atrai para o alto, ainda que nada já me atraia para baixo. Sinto-me livre, como se deixasse de existir, conservando a consciência disso. 
Sossego, sim, sossego. Uma grande calma, suave como uma inutilidade, desce em mim ao fundo do meu ser. As páginas lidas, os deveres cumpridos, os passos e os acasos de viver - tudo isso se me tornou numa vaga penumbra, num halo mal visível, que cerca qualquer coisa tranquila que não sei o que é. O esforço, em que pus, uma ou outra vez, o enfraquecimento da alma; o pensamento em que pus, uma vez ou outra, o esquecimento da ação - ambos se me volvem numa espécie de ternura sem sentimento, de compaixão frusta e vazia. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Filhos à parte


Olá olá. Tudo bem com vocês? Esperemos que sim. Hoje venho falar-vos de uma coisa que parece nunca cessar. Desde os meus anos de criança (7, 8 anos) que me lembro desta situação que até hoje continua. Como sabem, todos os casais têm os seus desentendimentos, mas, no caso dos meus pais, parece que têm uma necessidade de se contradizer um ao outro.
Desde pequena que, quando lhes fazia uma pergunta, cada um dava uma resposta diferente; mas perguntas sobre factos, memórias, coisas que uma pessoa se deve lembrar. Por exemplo: uma vez perguntei aos meus pais se tinham planeado ter filhos antes de me terem, ou se eu fui um acidente; pergunta à qual um me disse que planearam e o outro disse que eu aconteci. Quando eles se encontravam fisicamente juntos, davam a mesma resposta, mas, quando estão separados, é raro que a resposta seja igual.
E agora, separados há 5 anos, isto continua a acontecer. Eu já desisti de perguntar esse tipo de coisas, mas quando a minha mãe chega a casa e me diz que o meu pai vendeu a casa onde eu vivo, isso torna-se inevitável (btw: ele estava a fazer bluff , até porque era preciso que a minha mãe autorizasse a venda). Mas frustra-me muito não saber certas coisas. Eu podia lutar. Juntá-los no mesmo quarto e ouvi-los gritar um com o outro até saírem de lá com 1 resposta. Não me vou dar ao trabalho; não estou para me chatear mais do que já me chateei.
Com isto tudo deixo-vos mais um lamento da minha vida tão incerta e um conselho aos casais: façam um esforço, por mais raiva que sintam, não deixem que sejam os outros a lidar e resolver os vossos problemas. E, o mais importante de tudo, tenham a certeza de que não fazem ninguém sofrer com a vossa falta de comunicação.

sábado, 16 de abril de 2016

Dorme bem, eu amo-te

Buenas noches, everybody. Hoje vim contar-vos um bocadinho do meu dia e especificar uns sentimentos recorrentes e bastante desagradáveis que me assombram quase todos os dias. Como sempre, não fiz nada de especial, mas mantive-me ocupada durante o decorrer do dia a jardinar, arrumar a casa etc etc.
Mas foi agora já de noite que, após algumas tentativas de falar com o meu namorado (que estava a jogar e não lhe dava jeito falar comigo), ele finalmente liga-me, mas apenas para me dizer que ia dormir. Eu, obviamente, fiquei um bocado triste, quer dizer, passámos o dia separados e nem 10 minutos ao telefone falámos. Senti-me desconsolada, triste, desnecessária. É assim: não estou a culpá-lo de nada, se calhar a maior parte dos casais da nossa idade passa um dia (ou mais) sem qualquer tipo de contacto, mas eu não consigo. Admito: eu apego-me demasiado. E, apesar de estar muito mais independente do que já fui, continuo a ter as minhas necessidades. Entre elas: a minha meia hora diária (mínima) para conversar com a pessoa que amo.
Mas, voltanto ao tema inicial, eu sinto-me desnecessária muitas vezes, descartável até. Tenho muitas vezes a sensação que tento estar e agradar a pessoas, mas que eles não o apreciam ou não precisam desse meu esforço. É quase como estarem sempre a convidar uma certa pessoa para irem sair, mas ela/ele estar sempre a desmarcar. É quase assim que me sinto.
E dói estar sentada na cama à 1:30 da manhã a pensar "bolas, passei o dia a tentar falar com ele, e no fim nem um 'amo-te' consegui". Dói aperceber-me do meu pouco reconhecido esforço.
Ok, mas agora deixem-me ser honesta: eu estou a dramatizar um bocado as coisas, isto é, eu gosto da rotina; gosto que ele me ligue todos os dias antes de ir dormir e que me diga as mesmas coisas. Hoje não disse e eu senti-me mal, senti que tinha feito qualquer coisa de errado para não merecer a minha tão adorada rotina. O facto é que não fiz (acho e espero eu), mas não consigo deixar de me sentir desnecessária. Estou cansada desta montanha-russa de emoções que é a minha vida; só quero que ele me ligue todas as noites antes de ir dormir e que me diga a mesma coisa.
É com pequenas lágrimas que me despeço de vocês hoje e vos deixo este conselho: não se deixem levar pela rotina, ela nunca mais vos vai deixar sair.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O dia bom

Bom dia! Finalmente já é quinta-feira, esta semana bem que podia acabar agora... Não tenho conseguido fazer tantos posts porque com a escola é difícil, não tenho muito tempo e tenho andado super cansada. Mas consegui arranjar um bocadinho para escrever um pouco e hoje vou-vos contar o que é ter um dia bom.
Ontem tive um dia mesmo bom, acordei muito cedo, fui para a escola ter as minhas aulinhas habituais e, apesar de serem bastante aborrecidas, consegui, mesmo assim, ficar alegre pelo dia todo. Nem fiz nada de especial, foi mais um dia guiado pela rotina. Ter um dia bom (para uma pessoa como eu) é um alívio brutal, é quase como se eu estivesse a flutuar no mar e me deixasse levar na corrente só porque sim, só porque sabe bem. E não preciso de fazer esforços, não preciso de fazer nada sem ser relaxar (já agora, esta ideia de flutuar e se deixarem levar é um exercício muito bom para ajudar com o stress).
Acho que uma coisa que me ajuda imenso é ter pessoas na minha turma com quem me identifico muito e consigo sentir-me confortável com elas, mesmo que não as considere amigas ou que não consiga desabafar com elas, mas sinto-me bem. Imagino que elas nem me conheçam bem, tal como eu não as conheço bem, mas isso não interessa, pelo menos não agora. O importante agora é o conforto, é sentir-se bem consigo próprio e à volta de outros.
Portanto, é isto. Hoje só consegui escrever este bocadinho, mas soube bem contar-vos sobre o meu dia bom. Espero que vocês também tenham muitos destes!

sábado, 9 de abril de 2016

How to: be fit without obsessions


Bom dia, pessoal! Finalmente chegou o fim‑de‑semana e mal posso esperar para não fazer nada hoje e amanhã depois de uma semana cansativa de aulas. Como sabem, tenho 17 anos e estou no 10o ano (era suposto estar no 11o, mas voltei para trás para repetir o 10o noutra área) e convivo com muitas raparigas da minha idade, adolescentes. Tal como eu, quase toda a gente tem algum tipo de insegurança com o seu corpo e algumas pessoas até se esforçam para se transformar, para se tornar bonitas aos seus olhos. Mas isso pode, muitas vezes, tornar-se numa obsessão. Por isso hoje vou fazer um pequeno post com alguns conselhos que eu tenho para vos dar de modo a que consigam prevenir essa obsessão.
1. Não saltar refeições. Esta é muito importante porque, para conseguirem perder peso de modo saudável, não podem saltar refeições porque o nosso corpo acumula o que precisa para se alimentar e o resto é digerido é expulso do corpo, mas se comerem pouco o corpo vai acumular tudo. 
2. Não contar calorias. O número de calorias necessário para cada pessoa é diferente e não é isso que vai fazer diferença na vossa dieta. Optem por comer de forma saudável em vez de contar calorias. Por exemplo: 100 calorias de chocolate vai alimentar-vos muito menos e muito pior do que 100 calorias de maçã por exemplo. 
3. Fazer exercício, mas de forma moderada. Para mim, o ideal seria uma vez por dia, 3 vezes por semana e fazer um bocadinho de cardio (jogging ou bicicleta) e exercícios localizados (abdominais e exercícios de pernas). É importante não esforçarem demasiado o vosso corpo, porque podem acabar com lesões físicas graves.
4. Ter autocontrolo. Esta para mim é a base de tudo. Sem ter controlo sob nós próprios não chegamos lá. Não existe bem um método para conseguirem alcançar este ponto, é uma questão de treino e muita paciência. É preciso termos consciência dos nossos limites e não os atravessar. Quando eu digo controlo não quero dizer que é preciso ter controlo para não comer tanto ou algo do género. Eu quero dizer que precisamos de controlo para não passarmos a pequena linha que separa a dieta da obsessão.
5. Aceitar. Por último, a aceitação. Ser capaz de reconhecer a beleza dentro de nós. Saber aceitar as coisas que não conseguimos mudar e amar-nos da forma que somos. 
E pronto, é isto! Espero que tenham gostado e que isto vos tenha ajudado de alguma forma! Lutem para ser a pessoa que querem ser, mas tudo o que é em exagero é mau, saibam reconhecer a diferença.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Bolos e abdominais

Boas noites, hoje decidi que vou fazer um post sobre uma coisa que me acontece praticamente todos os meses. Como toda a gente sabe (espero eu) antes e durante a menstruação, as mulheres sofrem de SPM (Sintoma Pré-Menstrual) e os sintomas diferem de mulher para mulher. Podem ir de dores menstruais a emoções polarizadas ou mesmo até a gripe. E o que eu vou falar é muito sobre isso.
Eu costumo ter uma vontade brutal de comer. Doces, salgados, fritos, mas maioritariamente chocolate. Como os meus leitores já sabem, eu tive anorexia e não era capaz de comer sem ficar com um peso na consciência e a sentir-me mal mesmo fisicamente. O problema que eu tenho hoje é que, apesar de já não ser anoréxica, ainda fico um bocado "obcecada" com o meu corpo e peso. Não sou gorda nem nada, tenho um corpo normal, mas normal não é o suficiente. Claro, quer dizer, tenho 17 anos e não quero ser uma rapariga bonita? Claro que quero.
Hoje, primeiro dia de aulas do último período (finalmente), passei o dia todo a fantasiar com um cheesecake de amora que fiz ontem e nem almocei bem, portanto, como já estão a ver, cheguei a casa e comi metade do cheesecake. Passados uns minutos, começo a pensar nas calorias, na gordura, nos rolinhos na minha barriga a crescerem vagarosamente. Depois fui para o meu quarto e meti-me a fazer uns workouts fraquinhos até começar a suar um pouco. Se fosse há uns anos, teria feito exercício até já não me aguentar e pé, mas agora só faço até não me sentir uma baleia.
Mas no fim olho para esta situação e penso que preciso de ter mais controlo, nomeadamente com a comida e estes ataques de fome, mas também com o exercício físico. Gostava mesmo de deixar de me preocupar tanto com o meu corpo e a minha aparência, mas acho que é uma coisa que já faz parte de mim. Também odeio que eu coma tantas porcarias e depois me sinta assim.
Por isso, já sabem, somos todos lindos da nossa própria maneira, confiem em vocês e lembrem-se de que a verdadeira beleza está cá dentro.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Mirror, mirror on the wall

Tenho andando um bocado ocupada com os feriados e os encontros de família, por isso não tenho conseguido postar, mas hoje finalmente consegui arranjar uns minutos para mim. Estava a apetecer-me escrever sobre a beleza, os ideais de beleza... algo à volta desse tema.
Eu gosto de me considerar uma rapariga que está dentro dos trends, quer seja de moda, maquilhagem, etc, e passo algumas horas do meu dia a ver fotos de modelos, as suas marcas de eleição e começo a perceber que o ideal de beleza feminino está a mudar brutalmente. Há cerca de 7 anos (perto da altura que me lembro de começar a prestar atenção aos corpos das mulheres) o ideal de beleza era uma mulher muito magra, com os ossos muito salientes e a famosa thigh gap. Foi a partir desse corpo que eu obtive a minha inspiração e comecei a trabalhar arduamente para ter um corpo assim. Ainda hoje há modelos assim e, muito honestamente, eu não acho bonito um corpo que não tem curvas, um corpo que parece que a vida lhe fora sugada. Há mulheres que são mesmo assim, têm um metabolismo muito rápido e, por mais que comam, vão sempre ficar magras.
Hoje, 2016, eu vejo como a beleza mudou. Para já, temos a febre do rabo grande e redondo, mas vemos uma mulher mais redonda, mais natural. Eu, pessoalmente, acho que as mulheres retratadas em esculturas feitas na Grécia Antiga são lindíssimas, talvez sejam mulheres imaginadas pelos seus autores, mas parece que todas as pequenas curvas dos seus corpos transmitem uma beleza natural, não trabalhada. Cada vez mais associo essa mulher à mulher contemporânea e, digo-vos já, estou muito orgulhosa desta mudança. Adoro que a beleza hoje seja uma coisa simples, não é extremista. Para se ser bonita não é preciso ter grandes curvas ou ser muito magra. Gostava que me tivessem dito isso. Não digo os meus pais e amigos, sempre me disseram que era bonita. Falo das mulheres que as meninas têm como modelos. Gostava que as mulheres que eu visse na televisão fossem mais como eu (ou eu como elas). Porque, no fundo, o que importa não é o que nos dizem, mas o que nos mostram. De que vale dizerem que ficam super bem com aquele top justinho quando se riem baixinho quando o vestem?
Hoje é um dia em que estou verdadeiramente feliz com o que é considerado bonito. Todos os anúncios de grandes atrizes e modelos a defender a opressão feita pela sociedade para se ser bonita dão-me motivação. Adoro que o que esteja na moda seja a auto-confiança e a beleza com que nascemos. Claro que há coisas no meu corpo que gostaria de mudar, mas já não me sinto pressionada para ser de uma certa forma e ainda bem que isso mudou. Por isso lembrem-se: a beleza não se ganha nem perde, ela está aí dentro, só precisam de a procurar. 

sábado, 26 de março de 2016

"A Tabacaria" de Fernando Pessoa

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Duas caras

É uma da manhã e, depois de ter escrito um texto sobre as polaridades do meu dia, apercebi-me de que não era isso o que me estava a apetecer falar. Apetece-me falar sobre mim, sobre que eu sou. Começo por dizer que, apesar de eu dever ser apenas uma pessoa, não o sou (Atenção: eu não sofro de esquizofrenia ou de qualquer tipo de distúrbio dissociativo de identidade). O que eu quero dizer com isto é que a forma como me comporto, os traços que deixo sobressair são todos diferentes, dependendo da minha companhia. A partir da minha adolescência começaram a existir duas Joanas: a Joana da mãe e a Joana do pai.
Os meus pais são as pessoas mais importantes da minha vida, mas são duas pessoas diferentes, muito diferentes. As suas personalidades são diferentes, as suas vidas e até as suas expectativas sobre mim e, de modo a obter a tão gloriosa e distante aceitação dos pais, esmero-me para os agradar das formas que cada um aprecia. Até um ponto recente da minha vida percebi que a coisa pela qual eu mais luto é a aceitação. Não só isso, mas também o agrado, não digo que faça tudo, mas faço muito para agradar os meus pais. Por isso agora faz-me sentido: eu sei o que a minha mãe quer e tento corresponder às expectativas. O mesmo com o meu pai.
Sei que não sou a única e que este tipo de situação não acontece só com os pais e os filhos, mas também sei que eu não nasci para agradar ao mundo. O problema, sabem, é que a minha cabeça não é capaz de interiorizar isso, eu não sou capaz de fazer coisas que poderiam eventualmente na minha fantasia desiludir os meus pais.
E não consigo exprimir o quanto dói cá dentro fazer isso... vem-me à cabeça outra vez a ideia do vazio, tentar e dar tanto até que não sobre mais nada. E, no fim do dia, dou por mim a pensar e a tentar perceber quem sou eu, porque há a Joana da mãe, a Joana do pai e a Joana dos amigos, mas eu sei que nenhuma dessas Joanas sou eu. Caramba, nem sei qual dessas Joanas está mais próxima de que eu sou realmente. Porque o caráter não se forma sob o olhar de superiores, o caráter forma-se quando estamos sozinhos, quando ouvimos uma música e estamos completamente à vontade, tão à vontade que deixamos aquele sorriso ou aquela lágrima sair.
No fim disto tudo tenho uma mensagem para vocês: lutem pelo vosso tempo e pelo vosso espaço, porque sem ele não vão conseguir deixar que a flor aí dentro desabroche.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A minha história


Tenho estado a pensar sobre o meu blog e apercebi-me de que os meus (poucos) seguidores têm o direito de saber de quem é que estão a tirar conselhos. Por isso decidi que hoje ia fazer um pequeno texto com a minha "autobiografia". Mais uma vez: vou tocar em assuntos que podem ser sensíveis para algumas pessoas, portanto por favor digam-me se eu perturbar alguém, não quero que volte a acontecer.
Então vou começar pela minha infância. Nasci em Lisboa, onde vivi até aos meus 7 anos, quando os meus pais se aperceberam de que o estilo de vida não era o melhor (e eu estava sempre com problemas de pulmões por causa da poluição), e foi aí que nos mudámos para Azeitão. Andei no colégio St. Peter's School do 2º ao 8º ano e, que fique bem claro, foi uma má experiência. Quando tinha 12 anos os meus pais separaram-se, o que para mim foi um grande alívio porque eles tinham (ainda têm) uma relação horrível por isso o ambiente lá em casa era insuportável. Foi a partir daqui que os meus problemas começaram.
No início de 2013 comecei a prestar mais atenção ao meu corpo, às minhas curvas, à minha gordura. Fiz patinagem artística durante 4 anos por isso tinha as coxas maiores do que a maior parte das raparigas, mas isso para mim era nojento. Começaram as dietas, o exercício físico em demasia, começou a anorexia. Eu não comia quase nada durante o dia, estava sempre a morrer de fome e em poucos meses passei de 50kgs a 37kgs. Uma pessoa precisa de comida e de dormir para manter a sua energia aos níveis normais ou, pelo menos, para a ter. Como não comia, passava o dia a dormir para conseguir ter qualquer tipo de energia. Nesse verão o meu pai queria levar-me a mim e ao meu irmão mais novo de férias ao Brasil (terra natal dele) e, como já disse antes, os meus pais não conseguem sequer ter uma conversa civilizada. Consequentemente, o caso foi para tribunal porque a minha mãe não queria que fossemos, mas a juíza acabou por decidir a favor do meu pai e lá fomos nós para o Brasil durante 3 semanas.
Foram as piores 3 semanas da minha vida. Até agora pelo menos. Ninguém me deixava em paz, ninguém percebia que não estava bem. O meu próprio pai não foi capaz de perceber o que se estava a passar, achava que eu estava só chateada, ele estava em negação completa.
Mas voltámos e eu estava cada vez mais magra, então a minha mãe conseguiu uma consulta de distúrbios alimentares para mim no Hospital Santa Maria. E foi isso que me ajudou. Nesse ano letivo mudei de escola e quase todas as quartas-feiras saía da escola à pressa para ir para o hospital. Mas ninguém se apercebia (menos a minha DT que chegou até a chamar a minha mãe à escola porque estava mesmo preocupada).
Em abril de 2014 a anorexia já estava mesmo quase desaparecida. Em maio comecei a namorar com um rapaz brutal que me ajudou imenso (e ainda continuamos juntos!). Mas em setembro começou tudo a piorar outra vez, mas desta vez foi a depressão que me atacou. Não tenho sequer forma de voz explicar o que sentia... eu esforçava-me tanto para toda a gente que acabava vazia porque tinha dado tudo o que tinha. Foi muito muito difícil passar aquela fase. Estive sob o efeito de antidepressivos durante 9 meses e foi com sorte que não me admitiram na ala psiquiátrica do Dona Estefânia.
Hoje, março de 2016, estou melhor, ainda não a 100%. Consegui finalmente perceber (com muita ajuda) o que foi que causou toda esta m*rda por isso estou no processo de trabalhar esse aspeto da minha vida. E pronto... é isso! Resumidamente foi isso que me aconteceu e estou para ver o que é que vem a seguir... 

sábado, 19 de março de 2016

How to: fight depression


Hoje decidi que, para possíveis leitores que se encontrem na mesma situação que eu, seria interessante eu fazer um post com as coisas que me ajudaram a melhorar. Ainda não estou bem a 100% e acho que nunca vou estar. Vejo-me como uma pessoa com tendências depressivas... desde pequenina que sempre tive curiosidade sobre doenças mentais, especialmente anorexia e depressão. Curiosamente foram as duas doenças que me atacaram. Mas essa é uma história para depois. Vamos lá começar a lista.

  • Comer bem. Ter uma alimentação saudável é crucial para uma recuperação sólida porque 1. precisamos de ter energia e sem comida não há energia e 2. para prevenir a vontade de deixar de comer, ou seja, anorexia.
  • Fazer exercício!!! Esta para mim é a mais importante porque, apesar de eu detestar exercício físico, ajudou-me imenso mesmo. Para começar, é ótimo para não ganhar peso e manter o corpo bonitinho, e depois sabe mesmo bem quando acabam o workout, sentem-te mais aliviado. Mas atenção: não façam demasiado, não deixem que se torne numa obsessão.
  • Sair de casa. Eu sei que a depressão só nos faz querer estar sozinhos e isso é normal, mas temos de o contrariar. Quando os amigos forem almoçar fora vão também, sejam vocês a dar o primeiro passo e convidem os vossos colegas de turma para uma saída. Custa, mas vale a pena.
  • Por para fora. Quer seja com um psicólogo, um amigo, um familiar ou um diário, ponham para fora o que está aí dentro, não deixem acumular. Eu nunca tive uma melhor amiga com quem me sentisse à vontade o suficiente para contar estas coisas, por isso contava à minha mãe. Isto é, até eu me aperceber que lhe doía muito ouvir e perceber o que ia na minha mente. Foi aí que eu comecei a contar as coisas à minha gata, a Tigresa. Ela não dizia nada de volta e às vezes era melhor assim.
Para resumir, estas podem não ser as melhores opções para toda a gente, mas o ponto é: contrariar a depressão, fazer tudo o que ela não nos deixa fazer. Tentem! Vale a pena. Espero que tenha ajudado!

Paciência elástica

Dou por mim a deixar-me ser afetada por simples situações. Ontem fiquei bastante incomodada com o comportamento irresponsável e desorganizado de uma das minhas professoras (fizemos um trabalho com três partes e, para além de nos dar a nota em percentagem, não referiu se esta seria a nota da média do trabalho em geral ou de apenas uma parte).
Não é a primeira vez que me deixo afetar por coisas assim tão simples. Quer dizer, é bastante frustrante quando isto acontece, mas não é normal ou mesmo necessário que estas coisas estraguem o nosso dia. A minha situação faz com que isto aconteça: fico com uma sensibilidade de quem está sempre com SPM e vou de um extremo ao outro muito facilmente. O meu dia pode ser calmo ou uma montanha russa.
Chateia-me profundamente que isto aconteça, mas não é só a mim que incomoda. Amigos, familiares e mesmo o meu namorado não compreendem a situação (o que eu não julgo, como Pessoa dizia: "Há sensações sentidas só com imaginá-las", mas nem toda a gente tem essa imaginação). Dou por mim a chatear pessoas amigas por viver em altos e baixos. É normal que tal aconteça, é frustrante uma pessoa que não é capaz de passar um dia sem ir a um dos extremos.
Outra das minhas sensibilidades exageradas é o barulho: não suporto barulho. E o pior é que não é barulho do género música alta ou coisas assim parecidas. O que me tira fora do sério são barulhos pequenos, coisas insignificantes que me incomodam imenso. O meu irmão não é capaz de mastigar sem que eu possa ouvir as peripécias que acontecem dentro da sua boca e eu não aguento mesmo. E odeio isso, odeio ser incomodada por coisas tão pequenas e normais, até porque haverá de chegar a um ponto em que os outros não serão capazes de aguentar o meu caráter piquinhas. Mas o facto é que preciso de silêncio. Não gosto de discotecas, de música eletrónica nem de coisas muito barulhentas.
Mas estou a trabalhar nisso, estou a procurar esticar a minha paciência mais um bocadinho (apesar de eu a sentir já demasiado elástica). Wish me luck!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Há tanta cousa que, sem existir, existe, existe demoradamente...



Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós…

Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas…
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Greetings

Venho por este meio apresentar-me à internet. Sou a Joana, tenho 17 anos e vivo no distrito de Setúbal. Estou no 10º ano no curso de Línguas e Humanidades e a minha disciplina favorita é Literatura Portuguesa (apesar de ter tido um 12,4 no último teste). Ultimamente não tenho ouvido muita música, mas adoro os 30 Seconds to Mars, os Arctic Monkeys e a Lana del Rey. Tenho dois livros favoritos, os meus portos seguros: The Fault in Our Stars de John Green (o cliché romance adolescente) e 11/22/63 do génio Stephen King. Não gosto de variar. Gosto da rotina. Gosto de acordar sempre à mesma hora e comer a minha tosta mista com sumo de laranja ou café com leite. Gosto de ir para a mesma escola com as mesmas pessoas e os mesmos problemas. Não sou uma pessoa aberta a mudanças.
Poucas pessoas sabem que ainda sofro de depressão, mas isso está prestes a mudar. Não é grave, mas já foi. Já passei por coisas demasiado más, algumas nem são dignas de me envergonhar à frente desta rede social. Não tenciono chocar com a minha história, não faço isto para que tenham pena de mim, mas não consigo manter um hábito de escrita que me ajude a deixar de ser uma hoarder (pessoa que acumula; no meu caso sentimentos).
Agora perguntam-se se eu não estou a inventar isto tudo para ter atenção. Por mero acaso, já este ano (letivo) me perguntaram assim:
Mas foi uma depressão a sério?
Sim. Não me auto diagnostiquei, foi tudo a sério. Há aproximadamente dois anos e meio vou a consultas com uma psiquiatra muito simpática que me ajudou em tudo o que podia (e conseguiu resultados brutais relativamente rápido).
Neste blog vou postar sobre a minha experiência ou apenas reflexões sobre o meu desconcerto com o mundo (como dizia Camões). Vou tocar em assuntos sensíveis e, sem querer ofender ninguém, peço que me digam se ficarem de qualquer forma incomodados com as minhas palavras.
Obrigada por lerem, fiquem por perto :)