domingo, 18 de setembro de 2016

Motivação: procura-se


Olá, pessoal! Hoje é o meu último dia de férias de verão e amanhã começo um novo ano. Vou-me levantar logo pelas 6 da manhã (eu sei, também me dói) e tenho de ir apanhar o autocarro ainda antes das 7. E depois é entrar no ritmo: beber muito café, estar super atenta às aulas e estudar bastante.
Isto que estão a ler é apenas uma pequena mensagem para vos motivar a voltar à escola com o power todo! Como tudo na vida, o esforço é sempre recompensado, por isso pensem nas aulas como aquele antibiótico horrível que tomavam em miúdos: é mau, mas depois ficamos bons! No entanto, a escola não tem de ser uma coisa má. As aulas, isso não vos posso garantir, mas a escola em si é até um bom sítio para se estar com os amigos e se divertirem. Procurem pessoas na vossa turma com interesses semelhantes, e partam daí. Essas pessoas conhecem outras pessoas e vocês vão expandindo o vosso conhecimento social. Aproveitem tardes livres e grandes horas de almoço para ficarem na escola com os vossos amigos a "estudar" ou a jogar cartas etc. Este ano letivo, passei muito tempo na escola a estudar (a sério) com os meus amigos e a fazer parvoíces; fez-me super bem porque a escola já não tinha aquela carga negativa habitual.
Organizem a vossa semana: se têm uma tarde livre, dividam-na entre estudo, televisão, ler ou o que quer que vos entretenha mais. Estabeleçam regras para vocês próprios, do género: "não vou ver o novo episódio de Game of Thrones até estudar meia hora de Literatura". Aproveitem para pensar no vosso futuro profissional e estabelecer alguns objetivos, isso vai, sem dúvida, ajudar-vos na motivação para terem boas notas. Quando souberem que curso querem tirar ou que emprego querem ter, vão ter uma melhor noção das notas que precisam para os alcançar e vão sentir-se mais determinados a conseguir.
A escola não é má de todo. Há sempre alguma coisa má, como tudo na vida, por isso tentem ver as coisas pelo lado positivo e aproveitar o melhor que a nossa idade e os nossos amigos têm para nos dar! Muito boa sorte a todos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

How to: be ready for school


Olá, pessoal! Sei que já venho um bocado atrasada, mas as minhas aulas ainda não começaram por isso acho que ainda vou a tempo de vos dar umas das minhas dicas sobre o regresso às aulas. Quer seja para o básico ou secundário (ou até mesmo universidade, apesar de eu ainda não ter chegado aí), acho que estas dicas vão ser úteis para terem não só um ótimo início de aulas, mas um bom ano na íntegra.
1. Regulem o sono. Tentem começar a por despertador mais cedo antes das aulas, assim, quando tiverem de acordar às 6:00 ou 7:00, já não vos custa tanto e até acordam com uma certa energia. Eu sou o certo tipo de pessoa que se levanta assim que toca o despertador (houve um dia que o desliguei e fiquei na cama... Não correu nada bem), por isso para mim não é difícil levantar.
2. Comprem cadernos e canetas que vos entusiasmem. Materiais de escritório sempre me entusiasmaram desde pequena e, quando vou às compras em setembro, tenho de me controlar para não comprar tudo o que vejo. Se comprarem aquele caderno de capa dura que estava a olhar para vocês na loja, aposto que vão sentir uma vontade enorme de escrever nele.
3. Entrem em contacto com os vossos colegas. Quer já os conheçam ou não, é sempre bom estar um passo à frente no que toca a conhecer pessoas na escola. O ano passado fui para uma escola nova e, por mera sorte, uma rapariga da minha turma achou-me no Facebook e falou comigo antes das aulas. Foi fantástico porque estive com ela nos primeiros dias e ela ajudou-me sempre a encontrar as salas e as casas de banho. Se têm alguém novo na turma, façam vocês este gesto de bondade, acreditem que há quem precise.
4. Dêem uma vista de olhos pelos manuais. Eu sei, a última coisa que vocês querem fazer é lembrar as aulas antes delas começarem sequer, mas vai preparar-vos para o que aí vem. Aposto que têm uma disciplina favorita (a minha é Literatura Portuguesa) e às vezes até sabe bem ler umas coisinhas, não custa tanto como nas aulas e a matéria entra mais facilmente.
5. Consolidem o vosso guarda-roupa. Eu sou o tipo de rapariga que gosta de seguir os trends, então costumo comprar algumas peças-chave que me dêem mais confiança. Este ano comprei um sobretudo comprido até às canelas e umas botas de camurça castanhas. Gosto de entrar na escola com roupa confortável, mas que me faça sentir bem comigo mesma e me faça ter aquele boost na minha auto-estima.
6. Mantenham a calma. A escola não é nenhum bicho de três cabeças. Estudem para ter boas notas, não se matem a estudar e tentem ser simpáticos e amigáveis, haverá sempre alguém a retribuir esse gesto.
Sejam positivos face a este início de um novo ano, vão ver que com esforço e dedicação corre tudo bem. Muito boa sorte a todos e um bom ano letivo! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Carta à minha mãe

Querida mãe,
A nossa relação nunca foi fácil, mas éramos inseparáveis. Desde pequenina que o pai viajava e ficávamos nós as duas sozinhas, lembro-me de estarmos as duas na cozinha e de tu brincares comigo enquanto me tentavas dar de comer (e, pelo que me contaram, era uma tarefa difícil). Lembro-me dos piqueniques que fazíamos em Tróia com a família toda e depois irmos as duas dar um mergulho à praia. Ainda me lembro do dia em que aquela fotografia ao pé da lareira foi tirada: tinhas-me arranjado com um vestido cor-de-rosa e um gancho no cabelo e andavas comigo ao colo no quintal da casa dos avós.
Mas depois tu e o pai começaram a desentender-se e deixámos de ir em piqueniques, o pai deixou de nos tirar fotografias. Acontece, a culpa não foi tua nem dele. Tudo começou a ser mais difícil... Tratavas de duas crianças sozinha, ias todos os dias trabalhar para Lisboa e não tinhas qualquer tipo de tempo livre para ti. E eu tentei, tentei ajudar-te com tudo o que podia, com a comida, a loiça, as limpezas... Enfim. Mas eu tinha boas notas, ótimas aliás, até que deixei de ser aluna de quadro de honra e tu ficaste desiludida. Nunca me disseste, mas era tão óbvio quando foste dizer as minhas notas ao avô já não as disseste com o entusiasmo de antes. Na altura nem me incomodou assim muito, continuava a ter boas notas por isso até me era um bocado indiferente ter o meu nome no quadro ou não. Por cima de isto tudo, já não conseguias pagar a mensalidade do colégio a duas crianças, por isso eu e o meu irmão tivemos de ir para uma escola pública. E tu não estavas satisfeita com isso, quer dizer, durante 7 anos os teus filhos tiveram (o que seria considerada) a melhor educação possível e, de repente, mudam-se para uma escola pequena com um mau ambiente e baixas expectativas. Eu continuava a tentar ajudar-te com tudo, mas começou a ser difícil para mim... Já não tinha motivação para me levantar e, mais tarde, acabaram por me falhar as forças físicas. Mesmo assim acho que tenho toda a legitimidade quando digo que ajudei com o que pude.
As minhas notas eram das melhores da escola, o que não era muito difícil, considerando as bases que tinha, mas havia o problema do Francês... Nunca tinha tido Francês na minha vida e agora era obrigada a ter aulas e fazer testes do 3º ano da língua. Os meus colegas não tinham problema, já tinham tido dois anos antes, mas para mim foi difícil. Comecei pelas negativas e depois lá subi para os suficientes. Não foi suficiente. Tinha só 4s e 5s e depois tinha 2 a Francês... Inadmissível. Havia também a situação da minha vida social inexistente. Tu percebias claramente que, por causa da depressão, era impossível para mim fazer novos amigos ou tentar entrar em contacto com os outros. Nessa altura estavas desempregada, o que ainda era pior porque estavas em casa 24/7 para me observar, e o que reparaste que, para além das idas ao médico, eu não saía de casa. Não falava da turma, não falava da escola. A certo ponto, a minha diretora de turma até te convocou para uma reunião porque todos os professores da turma estavam preocupados com o meu comportamento: estava sempre calada nas aulas e sozinha nos intervalos. Fizeste tudo para me incentivar a sair de casa.
Um dia, eu saí. Fiz amigos, íamos ao cinema, ficava até mais tarde na escola com eles. E tu ficaste feliz, finalmente consegui atingir um grande objetivo. Até ao dia em que fiz mais do que isso: arranjei um namorado. Aí é que foi... Lá passou a anorexia finalmente, já era capaz de ir comer fora sem ter um ataque de pânico. Mas um namorado implica mais saídas, menos tempo em casa.
E voltámos à insuficiência. Era bom que eu saísse, sem dúvida, mas com moderação. Tudo o que é demais é mau. Apesar de eu continuar a ajudar em casa, saía demasiado para o teu gosto, não passava tanto tempo contigo. E tu sempre tiveste este problema: não és capaz de dizer as coisas. Em vez de me dizeres estou com saudades tuas, vem jantar a casa hoje, chateavas-te comigo. Depois começou o ano letivo e, com ele, os problemas. As minhas notas baixaram e eu saía demasiado... A receita para o desastre. Mas até nem ficaste tão desiludida como eu imaginei, desculpaste-me por causa da depressão, percebeste que se calhar era difícil para mim conciliar a minha recuperação com vida social e vida académica.
Este ano correu melhor. Já estou muito melhor e as minhas notas subiram bastante, mas não subiram todas para 20. Meu Deus, nem 20 é suficiente! Consegui tirar a nota máxima a Alemão, mas tinha duas faltas injustificadas... Se tivesse sido 18 ou 19... Mas foi 20!
Em outubro faz dois anos que estou a fazer terapia com a mesma médica. Cheguei lá feita num S, tinha de ir a duas consultas por semana e, cada vez que saía de lá, só me apetecia ir para casa e fechar-me no quarto. Mas fiz um esforço, até porque sabia o quanto tu estavas a gostar de me ver a recuperar. Sei que a médica costuma falar contigo só para te dizer se as coisas estão melhores ou piores, sem te revelar o que se passa nas nossas sessões. Acontece que, há coisa de uns meses, depois deste trabalho todo, a minha fantástica médica conseguiu desvendar o grande mistério: porque é que eu tive anorexia e uma depressão? Por mais que me custe dizer isto, porque gosto tanto de ti, foste tu. Foram todas as minhas tentativas de te agradar que tu desvalorizaste. Foram todas as coisas boas que fiz que deixaram de contar quando fazia alguma coisa mal. Foram as coisas que tu me disseste quando estavas chateada por alguma razão. Foi o constante sentimento de insatisfação.
Gosto tanto de ti, mãe, mas custa-me tanto que tu, até hoje, não te apercebes do que me dizes às vezes. A culpa também é minha, não tenho coragem de te dizer. E sinto-me terrível por isto porque sei que me amas e nunca me quiseste mal.
A nossa relação nunca foi fácil, isto é só mais um obstáculo a ultrapassar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Triste é o que estou.


Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

How to: have an exciting summer


Bom dia, pessoal! Como têm sido as vossas férias? Eu não tenho feito nada de especial porque vivo numa vila pequenina longe de todos os cinemas, centros comerciais e locais socialmente atrativos. Portanto tenho passado os meus dias a mudar entre o sofá e a cama e o telemóvel e o computador. O verão não é (de todo) uma das minhas estações favoritas, odeio o calor e não consigo subir as escadas sem ficar toda suada. Por isso acabo por me sentir mais em baixo, tenho mais tempo para estar sozinha com os meus pensamentos e, por norma, estes dias nunca acabam bem. Então venho partilhar uns conselhos com vocês para que não se sintam desanimados com as férias quando há tanto para fazer.
1. Sair de casa. Se não são como eu e até têm alguma tolerância ao calor, vão lá para fora dar um passeio, fazer exercício ou passear os vossos animais de estimação. Se tiverem um quintal, tirem uns minutos para o regar ou plantar flores. Aproveitem e façam alguma coisa produtiva, vão ver que se sentem muito melhor no final.
2. Ler um livro. Esta é um bocado óbvia, acho eu, pelo menos é o que a minha mãe me diz sempre quando estou aborrecida. Há tanta coisa por aí para ler, eu tenho quatro livros na lista de espera para serem lidos, basta-me só ganhar coragem para largar a wifi.
3. Começar a ver uma série. Procurem na net as séries com melhor pontuação no IMDB ou no Rotten Tomatoes e comecem a ver do início. Vai ocupar-vos a mente e o tempo, para não mencionar que ver séries é super divertido e emocionante, mas com a vantagem que não vão ter de esperar pelo próximo episódio!
4. Brincar com roupa e maquilhagem. Se gostam de moda e maquilhagem, façam experiências. Imaginem um cenário em que iam numa girls night out ou numa saída romântica e façam o look completo. Aproveitem e, se ficar ao vosso agrado, tirem fotos para mostrar aos vossos amigos como conseguem tornar-se numa pessoa totalmente diferente só com uma mudança de roupa e maquilhagem.
5. Começar algo novo. E com algo quero dizer qualquer coisa que gostem, uma pintura, um poema, um blog, um canal de YouTube, um álbum de fotos (vossas, que vocês tiraram, etc). Experimentem coisas novas ou voltem para o que gostam e ponham as mãos à obra!
São estes os conselhos que tenho para vos dar, e espero que ajudem! E vocês, que outros conselhos gostavam de partilhar? Deixem nos comentários as vossas sugestões e se estes conselhos funcionam para vocês. Tenham umas ótimas férias e aproveitem!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Anorexia, mas para sempre?


Olá, Blogger! Meus caros e dedicados seguidores, peço-vos desculpa pelas semanas que passei sem vos escrever, mas, apesar de estar de férias, parece que ainda tenho menos tempo para me sentar durante um bocado. Espero que os exames tenham corrido bem a toda a gente! Hoje consegui um bocadinho de paciência e vou falar-vos do que têm sido os meus dias e de algumas coisinhas que me têm incomodado ultimamente.
Apesar de já terem passado mais de dois anos desde que consegui recuperar da anorexia, parece que vai haver sempre uma voz na minha cabeça a dizer "essa pizza tem tanta gordura" ou "tens a certeza de que queres comer esse gelado?". Quando eu estava no pico da minha anorexia, a minha tia (de quem eu gosto muito e temos uma relação brutal) veio a minha casa para lancharmos um dia e trouxe uma amiga. Essa amiga dela passou pelo mesmo, ela teve anorexia quando era muito nova e, depois de ela me contar a história toda, eu fiz-lhe algumas perguntas. Perguntei-lhe se ela se tinha curado completamente, ou se ainda tinha algo de anorética nela. Ela respondeu-me que, apesar de não ter uma obsessão, ainda tinha alguns pensamentos que duraram desde aquela altura.
Eu acho exatamente o mesmo. Hoje a minha mãe comprou-me uma lasanha para o almoço e eu comi-a, mas não fui capaz de a comer toda. Só sentir as natas na minha boca me tirou a fome e a vontade de comer, porque sabia as calorias que aquilo tinha e o que ia fazer ao meu corpo. Nunca fui confiante com o meu corpo, lembro-me de ter complexos no primeiro ciclo, quando os meus colegas me chamavam gorda ou mesmo só gorducha. Agora, com 17 anos, dou muito mais importância à minha aparência e tenho o poder de mudar algumas coisas que não me agradam.
Mas assusta-me, sabem? Assusta-me que, dois anos depois, não sou capaz de comer um pedaço de lasanha sem lhe dar importância. Não tenho nenhuma obsessão nesta fase e estou confiante quando digo que não vou ter num futuro próximo, mas não sei dizer se algum dia esta voz vai desaparecer.


Foto: https://www.buzzfeed.com/maggyvaneijk/tree-of-life?bffbhealth&utm_term=.rf71238NP#.pqvnK1wvY

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Tu destróis-me!

Olá e boas tardes! Finalmente férias! E este vai ser o meu último verão sem exames por isso tenciono aproveitar ao máximo. Aos que ainda têm exames pela frente: estudem muito e boa sorte! Não tenho escrito muito porque estou de férias no Algarve e, para além de ser difícil conseguir uma boa conexão à internet, não tenho tido muito tempo (a praia e a piscina neste momento são prioritárias). Mas hoje o tempo está um bocado mau então tenho um bocadinho para vos escrever. Decidi que hoje vos vou contar de uma situação que aconteceu há uns 3 ou 4 anos.
Eu estava numa fase um bocado difícil (pré-anorexia) em que me sentia muito sozinha e pouco apreciada pela minha família. As expectativas sempre foram altas para mim e, pela primeira vez, tinha deixado de ser aluna de quadro de mérito. Eu nem ligava muito, honestamente, mas a minha mãe ficou um tanto desiludida comigo. E eu, inconscientemente, comecei a canalizar a minha raiva com a minha família para o meu irmão. Ele na altura teria 9 ou 10 anos e estava na fase de falar muito mesmo e eu não sou uma pessoa com muita paciência para falatórios de crianças, então irritava-me muito facilmente. Long story short, irritei-me tanto que ameacei o meu irmão de o matar. Para que conste: eu nunca faria isso, foi mais no calor do momento que me deixei levar e saiu. Mais tarde, nessa noite, reparei que a minha mãe estava muito calada e triste, então fui perguntar-lhe o que se passava. Sozinhas, ela contou-me que já não aguentava mais viver comigo assim e, já a chorar, ela grita: "Tu destróis-me!". Eu fiquei muito surpreendida e assustada, fiquei a olhar para ela sem conseguir reagir. Mas depois caí em mim, percebi a gravidade daquilo de que ela me estava a acusar e corri a chorar para o meu quarto.
A partir desse dia, eu nunca mais gritei ou falei mal ao meu irmão (até recentemente, mas isso é outra história). Esta é a memória que eu tenho que mais me dói, mais me destrói, porque agora sei o que é ser destruído por dentro. E, ainda pior do que isso, foi ouvir da minha mãe, a pessoa que eu mais amo e mais respeito, que eu a destruo. Nós as duas nunca tivemos uma relação estável, somos demasiado parecidas em alguns aspetos e isso condiciona a nossa comunicação. Eu não sou capaz de lhe contar histórias dos meus amigos, e ela, em vez de me contar que tinha um namorado, convidou-o para jantar (dizendo que era um amigo) e eu apanhei-os aos beijos. Se calhar esta memória é a mais marcante talvez por isso: por ser o momento em que a minha mãe mais se abriu comigo.
Mas não sou capaz de passar um dia sem me lembrar deste momento e de querer morrer por ter feito com que a minha mãe se sentisse assim. Já sentiram culpa? É isto. É querer agressivamente voltar atrás e não cometer este erro. Mas, quando se apercebem de que isso não é possível, querem desaparecer, como se aquele erro fosse tão grande que vos tira o direito à felicidade, à vida.
E aqui estou eu, nas minhas férias de verão a reviver o pior momento de sempre. Tal como a minha psicóloga me diz: eu sou uma pessoa melancólica por natureza, vai haver sempre uma pequena tristeza presente. Espero é que essa tristeza seja, de facto, pequena.